domingo, 30 de junho de 2019














"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias."


https://www.pensador.com/frase/MzQxNDQx/


Saudades e Melancolia


DESENHO - PORTO

A arte da escrita é por poucos dominada
Nela encontramos verdadeiras paradas

Parada para alma
Parada para reflexão
O pensamento e a paixão...

Nos seus olhos cor de mel
Sinto meu corpo estremecer
Minha razão se perder
Meu medo esvanecer

Na sua pele branca quero me deitar
Em um grande amplexo me afundar
E sonhar... e sonhar

Como sonho contigo meu amor!
Sonhos abstratos, sonhos concretos
Sonhos práticos e sonhos métricos
Queremos o mundo dominar
A todos ajudar 
E aquela felicidade que não cabe no peito
Espalhar...

Talvez nosso amor se encontre
Nesse anseio 
Em meio a todo caos
Reconheço nos teus olhos e nas tuas palavras
A grandeza da sua alma
Que já foi minha um dia
Mas que hoje é só lembrança
De outra vida...
Saudades e Melancolia.

Imagem: https://anasousasantos.com/curso-de-desenho/

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Saudades de escrever


Saudades de ler
Saudades de Clarice
Saudades de Machado
Meus livros... meus amados
Assim fui criada 
Assim sou levada
Sozinha nunca me sinto
Sempre confortada
O conhecimento transforma
O conhecimento renova
De soneto em soneto
Encontro o sentido do texto
E a vida segue louca e embaraçada
Cujo sentido não chegamos a entender
Só caminhamos sozinhos
Esperando a hora de renascer.

domingo, 23 de junho de 2013

Sociedade Narcótica

À medida que a analgesia domina, o comportamento e o consumo fazem declinar toda capacidade de enfrentar a dor (...). Ao mesmo tempo, decresce a faculdade de desfrutar de prazeres simples e de estimulantes fracos. São necessários estimulantes cada vez mais poderosos às pessoas que vivem em uma sociedade anestesiada, para terem a impressão de que estão vivas. Os barulhos, os choques, as corridas, a droga, a violência, e o horror continuam algumas vezes os únicos estimulantes capazes ainda de suscitar uma experiência de si mesmo. Em seu paroxismo, uma sociedade analgésica aumenta a demanda de estimulações dolorosas. (...) O consumidor, devotado aos três ídolos – anestesia; supressão da angústia, e gerência de suas sensações – rejeita a idéia de quem, na maioria dos casos, enfrentaria sua pena com muito maior proveito se ele próprio a controlasse. (ILLICH, 1975 )

domingo, 21 de abril de 2013

Poesia Narrativa?


Escola Superior de Ciências da Saúde
Habilidades e Atitudes - Bloco de Pediatria



Medicina Narrativa

Oito da manhã, hora do país inteiro.
Paciente é Miguel Floriano. Profissão: porteiro.
Casado. Nacionalidade: brasileiro.
No DF há 27 anos. Mora no Goiás
Mas é mineiro.

Queixa principal?
Do que me queixar?
Da dor? Da doença atual?

Intensa no episgátrio. Não sei mais o que faço!
Dor em fisgada, como caracterizá-la?
Localização, cronologia, intensidade, causa?
Sofrimento, angústia ou desalento.

“Acho que é dor que dá e passa!
Melhor fica em casa!
Porque a fila do hospital...
essa não passa.”

Revisem os sistemas que a História é incompleta!
É corrompida, tendenciosa e aberta!
Refere astenia e sudorese excessiva.
Enfim, sintomas de agonia.
Hiperpirexia e eructação.
Nega, nega, nega.
Fim da revisão.

Não melhorei. O que faço?
Consulta, exames, dinheiro, remédio.
Que tédio!
Omeprazol, hemograma, plaquetopenia
Imediata internação, outra agonia!

Ambiente do hospital, solidão e incompreensão.
É aqui que libertarei meu fardo?
Num espaço onde a fétida realidade
impõe desigualdade e pouca dignidade?

Onde idosos são largados e homens imobilizados?
Onde o poder vestido de branco omite resultados?
Julga os embriagados? Não absolve culpados?
Onde está a cura?

“Mas o que é que eu tenho doutor?”
- ‘Tome seu remédio’
“Mas não foi isso que eu perguntei.”
- ‘Então tome outra vez’

E assim espero, espero e continuo a esperar.
Pelo o quê não sei contar
Mas sei que sinto falta do meu lar.
E preciso urgentemente me curar
Para enfim sair deste lugar.






domingo, 31 de março de 2013

?



Esse vazio em minh'alma...
É tão imenso.

E não é seu amor que vai
preenchê-lo.
Nosso amor é tão pequeno.

Esse vazio é maior que minha
paixão.
Maior que minha existência
Maior que minha essência...

No meio do dele há uma pergunta...

Cuja resposta só a morte poderá
me dar.

sábado, 9 de março de 2013

Mundo

                       

Minha alma infantil enlouquece ao se deparar com a realidade adulta (ou humana?). Quanto mais penso e observo, mais problemas encontro. Então começo a pensar que o mundo é um problemão, produto da soma de todos os pequenos problemas... Peguei um ônibus cheio e as pessoas gritavam, não tinha lugar pra sentar  o comportamento total parecia culminar em estupidez. Depois peguei metrô cheio (e nem eram horários de pico). E aí me invade a estranha sensação de que o mundo está acabando. Quando vejo muita gente, me passa pela mente o fim dos recursos naturais, e falta de água, e o que é a vida? e o que diabo estamos fazendo aqui? para onde todas essas pessoas estão indo? por que corremos tanto? por que esse ônibus está tão cheio? por que os políticos não melhoram o transporte público? e por que a gente compra tanto carro? por que não tem espaço pra ninguém e as pessoas querem ter filhos? e por que  tudo é tão louco e todo mundo acha normal?? 
Você: pequenina individualidade dentro do ônibus cheio, somada as outras individualidades formula-se a soma de todos que estão num ônibus, que estão imersos num trânsito com as individualidades nos carros, imersos na pista da cidade,do Estado, do país, do mundo, do universo. Brigando por um lugar pra sentar??? Parece tão pequeno, tão sórdido, tão sem significado. E isso tudo me dá uma dor de cabeça, a gente concebe um pedaço da realidade, foca nele e sofre por ele. E quando a visão macro te invade seus problemas parecem tão pequenos e ainda assim estamos lutando, e morrendo por eles. Literalmente, morrendo a cada dia de desgaste e consumo de energia, sobrevivendo sem reflexão. Quando tento conversar sobre isso com alguém me sinto infinitamente só. Todo mundo diz ' ah normal'.
Eu não acho normal esse estresse crônico!! Parece que todo mundo já viu isso e a brutalidade e o desrespeito são naturalizados. Talvez é porque eu seja nova (mas não sou, e os novos da minha idade pensam do mesmo jeito que os velhos), talvez eu não esteja entendendo nada do que está acontecendo, mas o meu corpo me conta. A pressão forte na minha cabeça latejante, o meu assombro ao me deparar com o comportamento alheio (é verdade que eu não sou muito melhor, o que é pior ainda, mas ainda assim me espanto).
Tudo é tão normal pras pessoas. Que droga. Parece que eu vim de outro planeta, as coisas mais simples, mais ordinárias e cotidianas são fontes de estranheza para mim. Por que é que estamos fazendo o que estamos fazendo? De que nos vale tudo, se o vazio é um oco nada? De que nos vale o nada, se o tudo é grande vazio anormal? Daí eu me sinto só e escrevo essas porcarias no blog... parece que eu vivo um grande delírio solitário de estranheza da normalidade, e quando eu tento me encaixar me afogo nos problemas e depois rio da minha insignificância. 
Meu coração deseja que tudo seja lindo e feliz (e isso parece muito gay), e que todos tenham transporte público bom, que o mundo seja sustentável, e que haja sistemas de saúde públicos decentes, e políticos honestos, mas esses problemas transpassam a porção concreta. A mudança de cada um sozinho deve ser a solução. E eu acabo me encharcando de problemas, até que depois de muito tempo me lembro da parte boa da vida... seja lá qual for.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Cicatrização Precoce


Ah! Queria poder cicatrizar
tantas feridas feitas a ferro e fogo
Tantas feridas infectadas, remexidas, bagunçadas

E agora já tem mais de 6 horas

Vai por segunda intenção.
Deixa que o tempo joga o tecido de granulação.

A minha errônea ideia de que qualquer ferida poderia ser suturada

fez me pensar que eu não precisaria do tempo pra me recuperar.

Agora tenho que ver a ferida aberta:

Escandalosa e sanguinolenta,
potencialmente contaminada,
com germes da descrença e da indiferença.

E o pior é a pressa, a vergonha e agonia.

Ninguém gosta de feridas abertas
Ninguém quer vê-las ou senti-las
São como as emoções: melhor deixá-las escondidas.

Preciso de um antídoto...

Acelerador de tempo
Ou pomada de vento:
Cicatrização precoce impossível intento.

Então com vergonha,

fico a esperar minha estúpida
ferida cicatrizar
Mas peço com gentileza
Não fale nela ou na sua impureza.
Qualquer estupidez ou sinal falso de esperança atrasa sua recuperação
Ou melhor sua cicatrização.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Orgulho

" o veneno que eu tomo querendo que o outro morra."

Malditos sonhos.
Revelam toda minha insatisfação infantil...
Quisera eu ter tudo sob controle,
dominei, aplaquei, contive e me prendi.

Como se domina se aprisionando?
Pois, bem submete-se para dominar.
Com o estranho pretexto de amar.
Como pôde ser tão infame?

Desgraçado.
Eu te odeio.

Mas de que adianta essa briga travar?
Se ele continuará a me perseguir?
Enquanto eu quiser sorrir, sobre a miséria do outro?

E de quem estou a falar? De um homem ? De um lugar?
De uma ideologia? Da mais-valia? (hehe)
Não queridos. 
A coisa que odeio é o que me faz odiar qualquer outra coisa.

Essa desgraça corrói, 
é invejosa, estúpida e gananciosa.
E como dizia meu velho:" é o pai de todos os defeitos."
Maldito seja ele: o eleito.

Agora percebo de que sou feita.
Como não enxergava antes?
Tamanha tristeza.

Minha perfeição é a ponta do iceberg.
Era a única parte que via, e por isso sofria.
Como pude eu, um dia acreditar
que realmente era perfeita e só tinha que me gabar?
Sendo que gabar-me já é uma forma de ofensa,
a quem talvez não tenha o estúpido talento que finges ter?

Não consigo entender.
E quem motivou todos os meus passos foi o desgraçado.
E por ele faço essa poesia, 
e por ele uso uma linguagem tão sórdida.
É por causa dele que eu espero tanto
que me decepciono tanto, 
que não amo ninguém,
que quero ver o circo pegar fogo, 
que quero ver a miséria do tolo,
e a minha supremacia dominar
a minha beleza infinda reinar,
a minha inteligência suprema ser a mais reconhecida,
ou melhor: a única valorizada.

Ele não sabe dividir o palco.
E assim me ensinou fazer,
com toda sua falsa pompa.
Tão educado, e tão hipócrita.
Nos faz realmente achar que existem idiotas.
Que, certamente, não somos nós.
Afinal somos perfeitos, o restante
é o mundo algoz.

As circunstâncias e os outros
são os filhos da imperfeição.
Por isso tantas barreiras, para
proteger nossa grande baboseira.
De perfeitos, sábios e lúcidos.

Mas já chega de reclamar.
Pelo menos percebi que eu sou assim.
Cheia de ORGULHO (o tal do desgraçado)
Agora já sei que não sou Rei.

Meu Eu inferior faz questão de colocar
sementes da discórdia na minha mente invigilante.
E eu as acato, remexo, cutuco, sofro.
E me culpo.
Culpo todos.
Fico com raiva e me sinto profundamente solitária.
Graças ao orgulho.

O que mais quero agora é vencer essa ponta.
Ponta?
É...
Uma ponta de tristeza que gosta de dominar,
E eu estranhamente gosto dela,
me apego a miséria que ela me oferece,
Porque meu conceito de felicidade ainda
é apenas uma ilusão:

Felicidade é ter tudo em minhas mãos.
E felizmente, isso não é verdade.

Me apego a infelicidade por me achar vítima,
por carregar dentro de minh'alma conceito tão infantil.
Tão pueril.
Quero que o mundo veja a minha infelicidade
e se puna, se arrependa, fique de joelhos,
se humilhe, se repreenda.
Todos vocês acorrentados pelo meu desejo de ser feliz.
Entendem a contradição?
Assim nunca poderei ter um triz.

Diante dos meus amores e alegrias,
essa ponta de tristeza é tão pequena,
que parece um apêndice inflamado.
Se eu não cuidar é perfurado.
E causa uma sepse mental.
Gera meu colapso afetivo, no peritônio parietal.

Removê-lo-ei cirugicamente
Com muita assepsia e anti-sepsia.
para deixar de dar espaço a uma nova septicemia.
Mente limpa é campo estéril.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Motivação

O que me motiva?
Senão a busca implacável?
Aquela vontade odiosa
de tirar de onde não se tem?

Não sei o que estou fazendo.
Não sei com quem estou buscando.
Sinto que estou apenas sendo.
Ou me livrando.

Que indizível loucura é tentar controlar...
o que nunca foi controlável.
Simplesmente assim.

"Como terei garantia?"

"Tenho medo!"

"E se?"

Frases pateticamente intrínsecas.
Sofrimento seco e solitário.
Não jogue mais poeira no armário.

Indiferença soa como crença abandonada,
esquecida, sofrida, e abusada.
Então o que há de se fazer sem garantias?

Há de se viver ora!
Que estamos a esperar?
A reclamar?
A chorar?
A espernear?

Nada.

Porque a espera, o tempo
a experiência, a sabedoria,
a inteligência, a crença, a revista
o jornal, o professor, a profissão,
a classe, a economia, e nem a ciência coitada.

Nada  garante nada.
Como dizia sábio Cazuza:
"A vida é bela e cruel despida. Tão desprevenida e exata que um dia acaba."

domingo, 28 de outubro de 2012

While my guitar gently weeps

Hoje o som que sai da minha guitarra
é puro sofrimento,
Seja porque eu toco mal,
seja pelo meu desespero a dentro.

A insanidade da existência martela meu ser
Não me deixa vencer
desconcerta minhas fibras,
minha razão.
Por que tanta emoção?

E o prazer sórdido de ouvir
notas trastejando
de querer tirar o som mais mórbido e sujo 
indizível, inútil, incompreensível.

A incapacidade de transcrever tanto horror
Nervosismo, pavor, força, temor.

O que fazer?
Força bruta, injusta. 
Não quero te ter por perto.
A culpa é toda sua.

Minha cabeça dói.
Meu sangue escorre.
Meu rosto está petrificado pela solidão.
Os músculos da minha face são agora uma escultura
de sofrimento e ingratidão.

http://www.youtube.com/watch?v=3TTQU7KT92U

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Olho pra baixo


Amor por que não consigo falar contigo? Me dói tudo.
Orgânico ou psíquico? (que me importa?)
Sou um conjunto e não um aspecto.
Tudo está confuso.

Não tenho coragem...
E acho que nem quero ter : quero você descubra.
Como a fé nos desesperados ou a paz para os estressados.

Quero a comunicação silenciosa.
Quero a comunicação verborrágica.
Onde está você?

Por que é que "meu coração dispara quando tem o seu cheiro dentro de um livro?"

Queria poder te contar o segredo da minha alma.
Só que eu já contei.
E você não entendeu e jogou tudo fora.
Assim como o amor que eu te dei.

Eu quero te falar tanta coisa.
Mas "em meu ser tudo estaria terminado".
Quero te dizer que não consigo não ser assim: tola e inconveniente.
Explosiva e inconseqüente.
E o sentimento de inadequação é tão grande que me calo.
Olho para baixo.

Não é com você.
É que eu nasci torta mesmo.

Mas acho tem conserto...

Acho que consegui falar.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Nature



Em que é baseada a relação homem-natureza?
Na imitação? Na supremacia? Na impotência?
Na tirania? E como o caos humano
se concilia com a ordem natural?

Não vivo na terra, só existo nela.

Não a reconheço, não a aprecio,
só estremeço ao som do arrepio do
vento e do balanço do mar.
Ainda não sei o que é enxergar e
nem consigo entender de que é feito o ar.

Infinita e delicada é essa Terra imaculada,
ignota e insensata, maravilhosa e exata.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Nerudan




Gosto quando te calas porque estás como ausente 

e me escutas de longe; minha voz não te toca.
É como se tivessem esses teus olhos voado,
como se houvesse um beijo lacrado a tua boca.

Como as coisas estão repletas de minha alma,
repleta de minha alma, das coisas te irradias.
Borboleta de sonho, és igual à minha alma, 
e te assemelhas à palavra melancolia.

Gosto quando te calas e estás como distante. 
Como se te queixasses, borboleta em arrulho.
E me escutas de longe. Minha voz não te alcança.
Deixa-me que me cale com teu silêncio puro.

Deixa-me que te fale também com teu silêncio 
claro qual uma lâmpada, simples como um anel.
Tu és igual a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão remoto e singelo.

Gosto quando te calas porque estás como ausente.
Distante e triste como se tivesses morrido. 
Uma palavra então e um só sorriso bastam. 
E estou alegre, alegre por não ter sido isso.


Pablo Neruda

sábado, 21 de julho de 2012

Dialogando com o Ego



Eu me sinto numa selva escura. Cheia de insetos e animais cujas capacidades e ameaças desconheço e no entanto, temo. É como se só houvesse uma pessoa no mundo: Eu. É como se buscar ajuda fosse a expressão máxima da minha loucura. 

Pois pensem comigo: se sou a unica pessoa no mundo, procurar ajuda seria delírio, não acham? Pois bem. O nome disso é estresse [?] . 

(Como é que a minha genética, criação, valores culturais e redes neurais determinam essa estranha sensação?)

É uma expectativa constante de humilhação em praça pública.

Mas  não entendes que o 'sentir-se humilhado' depende do seu próprio conceito de humilhação? E que portanto, os fatores que determinam a possibilidade de ser humilhado depende dos seus preconceitos?
Sim. Eu entendo tudo isso perfeitamente. Já dizia Clarice 'pensar é um ato, sentir é um fato'. Penso e não sinto. Meu ego enorme foi desmascarado de forma sutil e brutal. Ele se sente só, desamparado e ansioso. ANSIOSO. ANSIEDADE.

Querido Ego, se tu já fostes desmascarado, o que tens a temer?
Eu te respondo minha querida. Temo a desindividuação, a desindividualização. Temo nadar nesse mar sórdido de igualdade. Nessa lama branca de hipocrisia, nesse mar silente, remitente, fraco, ausente, compassivo, inutil desgraçado e óbvio.

Óbvio? Que entendes por óbvio ego? Que há de mais óbvio no orgulho ferido ou no egoísmo disfarçado?
Há muito que tu compassivamente não compreenderias. Há muito que tu caridosamente ignorarias, uma vez que ser, em toda sua potencia ÚNICA, 
veja bem, única e tambem exclusiva, é incompreensível para ti. Com essa mania universalizante.
Isso me dá náusea. Esse 'amor' todo, essa paz deprimente. Essa luz que tu jamais lograrás alcançar.

E que assim o seja Ego pois tens o dom de veres o mal onde só há luz. Isso advém da tua mente pequena, da tua necessidade de aparecer, de te estabelecer, de TER, de ter espaço, posses, propriedades, coisas, objetos nos quais possa te agarrar, te projetar . Entendes?
Creio que entendo. Por que será?

Porque ainda há muito orgulho em ti que precisa ser elaborado. Sua 'admiração' precisa urgentemente tornar-se admiração e não inveja disfarçada ou sensação de incapacidade. És forte, belo e maravilhoso, não precisas sentir-te sozinho. Todos somos acompanhados e cuidados. Porque um só são muitos e um dia muitos serão um só. O apoio interno necessita articular-se adequadamente com ele mesmo para buscar apoio externo, é preciso coerencia no pedir.

´



As sementes que você plantou no solo semi-árido da minha ignorância florescem a curtos e incertos passos.
O sonho da perfeita dissonância não é apenas fruto da pressa e sim, produto da arte extrínseca, da arte espremida, calculada gota a gota! Deixa-nos dispnéicos pálidos e tontos! Faz todo e ao mesmo tempo, nenhum sentido. Memória que sonha por um abrigo! 
 Pois nao ha tempo nem espaço; chegamos ao limite ! 
Há um limite? Há energia, muita energia escura em expansão, pronta para implodir o que lhe é externo ! Vestir o universo do avesso, com a branca cor do recomeço! Com as nada cândidas erupções estelares... Com o louco do Newton achando que o espaço é estático, e o louco do Einstein achando o contrário e o pior, ambos estando certos em seus universos paralelos. E continuamos ignorantes.

sábado, 30 de junho de 2012

Queda Livre

Você sente essa eterna queda?
Esse espasmo no corpo..
De uma tristeza quase bela?
De uma sufocada alma poética...

Quero saber o instante do impalpável desencontro.
O desfecho incompreensível.
A realidade, agora, pesada e inexequível.
Quando deixamos de nos olhar?

Olhar.
Quase não sei o que é isso.
Olho para baixo. Quase fechando os olhos.
Porque tenho medo do inominável.

Porque agora sou apenas um retrato.
Estático.
Sem desejos, sem delírios.
Sem paixões, sem destino.

A minha mente gira em torno da ciência.
Do estudo, da competência.
da técnica?
Enfim, da não-vivencia.

E como é que seus olhos, são os únicos que continuam a brilhar?
Não é inocência.
É certeza.
Firmeza, coragem, inteligencia e presteza.

Fraqueza. Esse é meu apoio.
Essa base sem estrutura
esse medo sem ternura.
Como centro: a existência obscura.



domingo, 24 de junho de 2012

Término

Jovem ébrio e errante
Vagando pelo mundo, em busca de sua amante
Que vazio é esse? Impreenchível.
Que tristeza é essa? Indizível.

A amante. As amantes.
E o amor?
Que amor?
Nunca ouvi falar.
O que me ocorreu foi uma sobreposição.

SOBREPOSIÇÃO.

Sim.
De vazios, de carências e de palavras soltas.
Por fim, de incompreensões e sofrimento.
E o término.
Término do amor com uma amante 
que eu nunca amei.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Poeta Morta






Há aquela angústia perene em minh'alma de poeta.
E eis que vãs filosofias não preenchem a utopia.
E eis que versos não satisfazem almas sedentas de prosa 
e rezas não saciam sede de alcoólatras; 
o remédio não cura o enfermo auto-etiológico  
e a música da vida não abarca sua cor.


E a indignação interdisciplinar perde o colorido quando é abstrata!
Deixa de entreter para ser um fim em si mesma.
E eis que morre a poeta ! Egoísta e pseudo-ascética...
Que não alcança si mesma e nem a Terra.


Que me vale comentar a beleza das flores, 
se meus fracos versos não fazem jus à sua existência?
Farão as palavras jus a todo passado que nós "do presente" perdemos?
A existência fará jus algum dia a colorida e 
inflamada poesia que não é realidade nem mentira?

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Trabalhadores do Mar

...O consentimento da alma recusado ao desfalecimento do corpo é uma força imensa.[...] Os teimosos são os sublimes. Quem é apenas bravo tem um assomo, quem é apenas valente tem só um temperamento, quem é apenas corajoso tem só uma virtude; o obstinado na verdade tem a grandeza. Quase todo o segredo dos grandes corações está nesta palavra: - Perseverando. A perseverança está para a coragem como a roda para a alavanca; é a renovação perpétua do ponto de apoio. Esteja na terra ou no céu o alvo da vontade, a questão é ir a esse alvo. [...] Não deixar discutir a consciência, nem desarmar a vontade, é assim que se obtém o sofrimento e o triunfo. Na ordem dos fatos morais o cair não exclui o pairar. Da queda sai a ascensão. Os medíocres deixam-se perder pelo obstáculo especioso; não assim os fortes. Perecer é o talvez dos fortes, conquistar é a certeza deles. [...] A perda das forças não esgota a vontade, crer é apenas a segunda potência; a primeira é querer; as montanhas proverbiais que a fé transporta nada valem ao lado do que a vontade produz.(Victor Hugo, 1866).

terça-feira, 3 de abril de 2012

Valores em edifícios, sonhos demolidores


Sinto que nos sonhos perdemos nosso juízo de valor. As coisas mais absurdas ocorrem e só parecemos presenciá-las passivamente. A verdade é que a liberdade mental é assustadoramente intensa nos sonhos mas a liberdade física parece restrita ao poço do inconsciente. Assistir a loucura que você guarda só para você nos seus sonhos pode ser uma forma de se liberar desse dogmatismo chamado "realidade ". Engraçado que no sonho que tive essa noite eu dizia "bom, eu não sei se isso aconteceu mesmo ou eu sonhei " (olha nível da minha confusão mental em sei lá, segunda camada de profundidade consciencial ). O que quero dizer é os valores que você cuidadosamente monta durante o dia são comicamente desmontados um a um de forma aparentemente descuidada nos sonhos. A minha conclusão não é que devamos criar valores insanos durante o dia, para a noite tomá-los como normais e assim destruí-los, a conclusão é desapegar-se mas sem perder o nexo social, isto é , seus valores existem , devem ser respeitados mas não podem ser encarados como solução única e irrevogável para os seus problemas. Acho que sonhar abre um novo leque de possibilidades completa e automaticamente excluídas pelos nossos valores lúcidos . Pois sonhemos e reflitamos.... sem preconceitos, sem medo de mudar um pouco a nós mesmos. Já que muitos sonhos insanos se realizam de forma sã sob a investigação da nossa falsa lucidez.

sábado, 3 de março de 2012

?

As vezes as coisas nunca aconteceram... e tudo foi um grande e confuso sonho .
Criamos o "amor" para sanar nosso complexo de solidão impreenchível.

Nosso vazio é tão grande que nos sentimos cheios.
Cheios do mundo que criamos para nós mesmos, cheios da imensa maioria egocêntrica e rude.

E assim queremos escrever e compor as letras desconhecidas do amor, e é bem verdade que dele não falamos,
só da ignota ilusão de compreensão.

A certeza é incerta e a luz é uma brecha escura no clarão patético da ignorância !
É tudo tão verdade que sequer questionamos . É tanta ciência que só aceitamos esse louco dogma de existir .

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Notre grand amour est mort - Carla Bruni

"Notre grand amour est mort lui naguère si vivant
S'il n'est pas encore mort il est agonisant
Quelqu'un l'a vu errer et tituber comme un mendiant
Quelqu'un l'a vu à genoux pleurer comme un enfant

Notre grand amour est mort, oh lui qui vivait tellement,
Lui qui couchait dehors sous les ponts à tous les vents
Lui qui crevait d'espoir, lui qui marchait en dansant
Lui qui avait peur du noir, il est mort maintenant

Les grandes amours sont frêles
Elles vacillent avec le temps
Les grandes amours chancellent
Les grandes amours sont folles
Elles sont folles de leur tourment
Les grandes amours cruelles

Notre grand amour est mort il faut le vêtir de blanc
Faut parfumer son corps le veiller trois nuits durant
Il faut le mettre en terre sans cercueil, ni sacrement
Pour qu'il revienne en fleur, pour qu'il fasse son temps

Les grandes amours sont frêles
Elles vacillent avec le temps
Les grandes amours chancellent
Les grandes amours sont folles
Elles sont folles de leur tourment
Les grandes amours cruelles "

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Impressões

Há algo inexprimível em sua beleza.
Algo que se confunde com o caos da sua mente,
que é como o mar implacável,
como a onda inexorável de emoções desconhecidas.

No seu sorriso sincero há a dúvida do eterno,
há a tristeza dos sábios e a inocência dos insensatos.
Na sua criativa complexidade,
existem hiatos de pura emoção:
partes que quando descobertas
refletem a beleza sublime
de um amor que se redime
a cada tristeza de uma paixão.

Há uma infinidade de tons na sua pele
que juntos formam o uniforme perfeito
com seus matizes delicados e inalcançáveis
Fáceis de perceber, impossíveis de descrever.

A serenidade do seu rosto
reflete a paz que não há em seu coração,
mas a paz que você almeja para a sociedade
intolerante e confusa, cheia de ilusão.

No seu olhar disperso,
vejo a esperança incerta,
a insegurança etérea...
A necessidade de uma metafísica-realidade
que comporte a existência da eternidade.

Nenhuma palavra que eu diga pode descrever
tamanha beleza infinda,
da memória que sonha e reflete
o passado-presente-futuro de nossas vidas.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Anoitecer do mar


Matizes claros de um céu incomum
forjam o quadro da tristeza comum.

O som do mar ignora o choro das conchas e
a areia com sua forma efêmera é indiferente
a intensidade das águas que com sua brutalidade
carregam toda fealdade da estupidez humana.

E véu negro da noite,
cobre com um açoite todo céu e seu reflexo.

Nesse ponto, a intensa fusão dessas duas potências:
o mar e o céu imenso criam a imagem da natureza
perfeita, crua e de uma paz violenta.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Sonho


: Sonhei que estava grávida.

De alguém que ... Enfim. Eu estava na praia e ia fazer uma consulta com uma médica super otária. Aconteciam um monte de outras coisas: todos me julgavam mal por estar grávida, o exame físico da médica era ridículo e tanananm dramas.

Só sei que minha interpretação foi a seguinte: Segundo Carl Gustav Jung, todas as pessoas do seu sonho podem ser vistas como você mesmo. Portanto, eu estava grávida de mim mesma e me teria! E todos que me julgavam mal eram EU.

INFERNO ASTRAL: Vou fazer 18 anos.

De repente estou nascendo para mim de novo ou ainda, a soma dos meus EUS anteriores construíram um novo eu. De tal forma que me serei mais do que nunca; ao passo que não serei mais a mesma.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Máscaras

Minha vida é um teatro:
máscaras pra todo lado!
Dissimulo bondade,
engradeço falsidade
e quando me mascaro
me torno a verdade.
E já não sou máscara,
sou a insanidade.

A mentira da realidade
ou vazio da verdade...
sou o que quero.
Sou o que esperam.

Pois crio personagens
com belas roupagens:
Quero ser o mundo
quero ser O poeta
quero ser intelectual
quero ser Asceta

O desejo ou a vontade?
A virtude ou a veleidade?

e quem é que não é um personagem?

Mas o que é O REAL?
Senão uma projeção de um mundo
imperfeitamente ideal?

Quero ser plateia!
Ser palco das ideias!
A máscara do caos
A loucura surreal
A beleza do mal!

Teatro: Riqueza de emoção!
Riqueza da Razão,
encarando frente a frente
às enfermidades do coração.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Poesia,
não conversamos há um tempo.
Não tenho sido sincera
e nem você tem sido concreta.
Perdeu-se no abismo que eu criei
pra te conter?
Espraiou-se no deserto ignoto e misterioso,
vago e desastroso...
Na minha catarse insana de idéias e paixões,
eu perdi o objetivo de escrever
de tanto fragmentar a existência do ser
fragmentei minhas emoções
e não sei senti-las por terem se tornado
demasiado complexas, indefinidas e etéreas.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Espera


O que espero é o amor que nunca foi meu.
Espero a gota de orvalho refletir o choro da madrugada.

Espero seu sorriso, seu apoio.
Ou só sua presença.

Mas o que espero na verdade é algo que você não pode me dar.
E que eu também já não posso e nem quero me dar.

Espero o silêncio absoluto e limpo,
do barulho pérfido e inaudível.
Insuportável e inexaurível.
daquilo que eu sempre soube e...

Maldito.

O passado não existe.
O passado não existe mais.

Na verdade, o passado nunca deveria ter existido,
assim eu tornaria meu presente mais vivo.

O passado é o presente do estúpido nostálgico.
Mas o passado não é.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vida Jim!




E agora a sobriedade não me é útil,
pois só falo com imbecis
e só se fala com imbecis
quando se está louco.

No entanto, só enlouqueço
porque já sou imbecil.

Pois morram desgraçados!
Morram todos que querem me sufocar!
Sumam daqui!
Querem me incendiar,
me implodir, e por fim
me suprimir!

Mas seja o que for, agora já se foi.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

I

O abismo da consciência bateu em minha porta,
e a deseducada realidade entrou para me contar as novas.
E foi evidente que com seu tom sarcástico e irônico
veio falar de mim na 3ª pessoa do singular.
E eu, patética e estática, fui montando vagarosamente
as peças desse quebra-cabeça insano e lúcido.
Quando obtive a imagem completa, o horror
tomou conta de mim.
E aquela estúpida, porém fatídica pergunta
martelou em minha mente até o anoitecer:
"Por que?"

II

"Por que?"
É óbvio que eu nunca vou responder essa pergunta!
Porque a realidade sempre foi minha inimiga e
portanto, eu não tenho seu suporte para me embasar,
não tenho sua verdade concreta para me alertar.
E agora ela vem...
sempre superior aos meus sonhos,
destruindo o que eu amo mas que no entanto,
nunca existiu.

III

O que nunca existiu?
Ah! Mas que burrice é pensar que sonho é uma boa fuga,
que é para não se machucar!
O sonho é e sempre será a expectativa,
a luz que ilumina a obscura vida!
O sonho é a falsa certeza de que tudo ficará bem,
é a confiança num futuro que não vem.

IV

Pois "não quero lhe falar meu grande amor"
que agora o dono do meu coração é o torpor.
Supremo em sentir sem sentir e em ver
sem enxergar ou ouvir sem escutar,
certo por só existir e nunca amar.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Presença




Qual é a parte que não absorvo?
Quero-te completa e plenamente
Sinto-te incrivelmente impaciente.

Olho-te e sinto amor. De repente.

O que há de medonho nessa entrega?
É a intensidade?É o desejo descabido?
É o amor incontido?
A tristeza da saudade... verdadeiro martírio.

Ver-te partir é como ver a vela desmanchar-se,
queimando-me aos poucos...
sinto tua presença se esvair
meus pensamentos a descobrir
a loucura que é sentir você bem aqui.

Silenciosamente ao meu lado.
Concentradamente desconcentrado,
inegavelmente inebriado.

E ao te ver, o que constato?
Um mar azul embriagado,
profundamente desesperado
pelo amor do fim do dia: tão esperado.

sábado, 15 de outubro de 2011

10:05 am


Eu nunca amei.
E talvez, nunca amarei.
Só abracei corpos tão fatigados
e desesperados como o meu,
em busca do amor que não tenho em mim.

Beijei faces sem identidade e
individualidades sem realidade.
Acabo por não saber quem são,
e eles também não sabem quem sou.
No entanto, essa questão é também meu temor.

Minha existência mendicante ou
minha mendicante existência...
de criança no amor e deusa na indiferença.

domingo, 18 de setembro de 2011

é demais :

é tanta folha amassada, espalhada, ilegível, solta.

Uma idéia, um papel de bala, uma poça d'água,
um conto incompleto, uma crônica de 5 linhas,
um amor falso, um amigo relapso, uma parede rabiscada,
uma bagunça, um lixo,uma tourada, um cobertor e um computador.

Uma guitarra, um violão, um chão de abismo,
e uma montanha de buracos,
enfim é tanta coisa que nem escrevo.

é tanta coisa nova que, a cada vez que olho pro blog,
as coisas velhas e oficiais, escritas a tinta e a lápis,
com a cor e o gosto da experiência,
se perdem na bagunça do meu quarto e da minha mente.

O blog é quase todo, obra da inspiração que me atormenta a cada segundo.


)ninguém lê posts sem figuras, mas é porque ninguém lê posts; e nem figuras(


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dor de existir?



Dor de existir : é o que sinto, com lapsos de alívio.

Já se sentiu fragmentado?
Estúpido, alquebrado, espasmódico
e desesperado?

Incompleto...

Ouviu o choro da criança inconsciente que te olha do outro lado do espelho? Viu a escolha inconsequente do adolescente estúpido e bêbado? Sentiu o descaso humano consigo mesmo?
Desprezou a ignorância daquele que te ofende o medo?

Um fragmento de ser, de personalidade, de sonhos e de maldades.
Uma zona mental e moral, lutando pelo espaço real do mundo sobrenatural.

Onde está a bendita comunhão espiritual no diálogo do dia banal?
Sinto o ar se esvair, a vida sumir, a poesia descobrir...




terça-feira, 23 de agosto de 2011

Caixa preta de fundo infinito
onde deposito a insanidade dos abismos planos
conferidos a partir da vida mais real que a imaginação.
Mais perfeita que a verdade.
Só sendo realmente
um depósito escuro, para misturar o belo e o grotesco
numa penumbra indefinida de sonhos
e perspectivas.

Vergonha

Presente intenso e vivo
me faz ver a maneira de ser
do passado obscuro e lívido.

A tristeza dos meus olhos
é o caos do nosso mundo
é a descoberta do meu orgulho
é meu sofrimento mudo.

Tão bem acompanhada
e tão só em seu padecimento
que dificuldade é essa
de expor sentimentos?

E por que sonhos e frases
fazem meu estado consciente?

E pessoas e circunstâncias
o meu sintoma inconsciente?

Acabo por nada controlar
Acabo por assim me derrubar
Sofrendo por ser o que sou
Sendo o que sofro por não ser.

Estou só.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Poesia: é pra isso que vivemos.

"Ouvi você chamar..." (8)

Queria querer você, não meu ego.
Queria sentir o que é viver,
e amar o que é ser.

Queria poder entender
o que é destruir o que nunca existiu.
Queria entender o que é o amor
que não sumiu.
Mas também não veio: só existiu.

O que há de indecifrável no que nunca aconteceu?
O que há de amável no amor que só foi meu?
Não sei, acho que é puro breu.

Jogue-se no vazio de amar seu próprio eu.

ps: eu inferior.

sábado, 23 de julho de 2011

Andando pelo mundo.



Eu não sei o que há, quando ando na rua sozinha uma sensação de liberdade e completude me invade. E dai? E dai que é um dos poucos momentos da vida que me sinto livre, dá vontade de sair correndo e não voltar.
Voltar pra onde se não sei onde eu estou? Voltar para o quê se não concebo o que sou? Não quero pensar e entender o que há. Não quero seguir o caminho da trilha, e nem o encontro marcado. Quero o louco, o inesperado, o amor contrário com ódio e desatino. A bagunça de uma vida de quem só sonha e nada faz. De quem se realiza de circunstâncias e nada mais.
Queria andar, sem ter pra onde ir, queria ter pra onde ir sem ter que pensar por onde andar. Enfim. Quero o caminho sem respostas, uma paz sem perguntas. A paixão de quem confia na maré, de quem ama sem máscaras ... De quem cai nos abismos de se deixar levar!
Nos abismos da felicidade: queda livre, emocionante, intensa, divertida e efêmera. Mas que obviamente, com muita dor, ao final, quando encara o chão, vê a alegria do caminho desaparecer, porque chegou à realidade.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Pseudo-Futuro- passado livro.

Capítulo 1

Amor, hoje começa a secreta caminhada ao enredo do infinito que se perde no abismo do meu ser desconhecido. Minha personagem é a persona do meu eu-inferior, completa em sua ardente paixão e em seu deprimente torpor.

Hoje, ela se acha enganada e iludida, destratada e desvalida, mas ela sabe que isso é apenas aquele engraçado sentimento do passado reconhecido no futuro. Ela quer e precisa entender essa necessidade de ser e não-ser, integrar e não - integrar.

O que a leva a questionar o conceito de ser já que ela considera que é, mesmo sem saber o quê? Mas a consciência de ser não é uma prova do que já se é? – Ser é estar ou existir? – Ser feita da matéria antiga de todo cosmos, ser-pensante-alucinante , apavorante .

Não-compreensão de si mesma.

E ela só, filosofa mesmo por saber que não terá certezas.

Ela descobriu que para entender o conceito de ser ela precisa fazer parte dê... – qualquer coisa que ela julgue diversa dela mesma, qualquer coisa na qual ela não se reconheça. Naquilo ou naquele. Algo que ela julga externo, e que para entender ela deve se ver no que ela não é, como na demonstração pela negação mas que acaba virando confirmação, já que é subjetiva, pois a clareza de ser tudo e todos não é demonstrável, é sensível.

(E hoje ela não quer facilitar a prosa) que ser prosa poético-insana-estética.

Capítulo 2.

Então, foi em busca da realidade:

Quis conhecer e pegar no que era tido como verdade.

E conheceu alguém,

no meio de mar de gente, de idéias, personas e personalidades navegou imprecisamente, procurando o preciso.

Mas ela nunca tinha certeza do que via, ela só deixava ser e depois analisava...

E um dia, deixou aquele Ser, ser junto com ela e andaram com as mãos atadas à existência, julgando-se livres pelo espaço cósmico do pensar. Como num sonho surreal, ela teve um insight com cores e imagens.

Como na inspiração, em que todos os elementos da imaginação e realidade se fundem para criar a supra-realidade. Ela se fundiu com ela mesma e viu que era alguém. Mas alguém em outro alguém? Sim, ela se viu naquele Ser, que ela deixou estar para analisar. E ela foi.

Nunca tinha pensado que ser era estar com --- e esteve completa quando percebeu que era, junto dele, ou Dele. Ele podia ser a manifestação do divino, ou podia ser só ele, que era divino por que era. Sentiu uma alegria pura da beleza de quem só é, de quem não é mais o que se fez de si e o que os outros fizeram dela, pureza de quem foi, e não de quem se fez.

E todos somos, mesmo quando não queremos... Somos nós e os outros, por isso queremos os que se parecem conosco, pois em parte eles nos são e vice-versa.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Se eu Fosse Eu - Clarice Lispector

"Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.
E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como?não sei.
Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro.
"Se eu fosse eu" parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais".
(Texto extraído do livro A Descoberta do Mundo, Clarice Lispector, editora Rocco, pg. 156)

sábado, 4 de junho de 2011

o que se escreve ouvindo :

Porcupine Tree - Oceans Have No Memories


Meu olhar se espraia pela paisagem desolada
as cores se fundem na vida mascarada,
são sentidas em cada nuance,
por quem só existe para aquele instante.

E para quem existe só em alguns instantes
nada tem sentido, tudo é irrevelante.
Tudo passa como realidade distante.

Pra que a arte ou a beleza?

Pra nada.

Funcionalidade nunca deve ser objetivo.
e a beleza da arte se sobrepõe ao restrito,
mundo 'prático' onde o sentir é estático

A subjetividade é a objetividade nua.
A ciência é a subjetividade,
então a crença pode ser a verdade?

Por fim tudo se torna o sofisma conceitual de realidade.



sábado, 21 de maio de 2011

Cor da violência

Vini disse (00:34):
kkkkkk claro claro, a cor da violência né?

Clarissa disse (00:35):
kkkkkkkk NOSSA BRUTAN ... amei ' cor da violência '
isso dá uma poesia /o\

Vini disse (00:35):
aueheauhaehaehuaeh então faça a poesia agora...! *-*

Voilà :

Cor: separa o preto do branco.
Distingue o amor da dor,
espalha o louvor ou a ilusão?
Para quem identifica seus matizes
entende a complexa construção
da violenta dor de amar a cor da razão.


ps: ombros fortes também inspiram poesias .


domingo, 24 de abril de 2011

Escrita

Minhas poesias não são belas.
Rimam pouco.
Só quando me interessa.

Falo quase sempre em primeira pessoa.
E quando falo na 1ª pessoa do plural
é para fazer graves críticas ao mundo.

Minhas poesias têm estética abstrata,
ou seja, não tem.
E elas não querem facilitar a compreensão de quem as lê.
Porque são escritas por quem só quer escrever.

E costumam ser sobre metafísica ou metalinguagem.
Poucas vezes louvam a beleza da natureza.
Poucas vezes descrevem os matizes espetaculares do céu.
E quando quero essas artes, tiro uma foto.

Minhas poesias não nasceram para serem lidas.
Nasceram porque a cabeça doía,
nasceram porque não aguentavam
mais ser entulhadas em forma de pensamentos ignorados.
Nasceram porque é duro demais questionar
e não concretizar,
nasceram e nascem porque preciso acreditar
em algo maior do que eu possa pensar.

Porque escrever é menos egoísta que só pensar.
Porque escrevendo se compartilha,
mesmo sem a intenção de fazer sucesso.
Porque escrevendo a aflição da vida parece
um pouco menor.

E quando se acaba de escrever,
a luz parece ser maior que as trevas.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Verlaine mon amour, je ne t'ouliberais jamais!



Art poétique

De la musique avant toute chose,
Et pour cela préfère l'Impair
Plus vague et plus soluble dans l'air,
Sans rien en lui qui pèse ou qui pose.

Il faut aussi que tu n'ailles point
Choisir tes mots sans quelque méprise :
Rien de plus cher que la chanson grise
Où l'Indécis au Précis se joint.

(...)

Car nous voulons la Nuance encor,
Pas la Couleur, rien que la nuance !
Oh ! la nuance seule fiance
Le rêve au rêve et la flûte au cor !

(...)

De la musique encore et toujours !
Que ton vers soit la chose envolée
Qu'on sent qui fuit d'une âme en allée
Vers d'autres cieux à d'autres amours.

Que ton vers soit la bonne aventure
Eparse au vent crispé du matin
Qui va fleurant la menthe et le thym...
Et tout le reste est littérature.

segunda-feira, 11 de abril de 2011





Estava surda e cega para arte
Estava no escuro abismo das funcionalidades
Julgava o sensível como banal
E o não-prático como trivial.
Que loucura é essa de viver para o real?
Quem traça os limites da funcionalidade de alguma coisa?
Porque trabalhar é mais importante que refletir?
Qual o valor do ser perante o devir?
A construção diária não é só o prático.
Sobretudo, deve haver o espaço poético-não-estático.
E nunca ouse separar o prático do artístico,
pois sua vida se torna apenas um mecanismo
e não uma potencialidade
de espaços criativos.
Somos mais do que máquinas
somos mais do que fábricas
somos mais que dinheiro
somos mais que dizemos ser.
Somos o desconhecido ato de viver.
Vida fugaz, confusa e complexa
Alivia nossas imperceptíveis dores
de existir nessa terra.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ah... me deu uma vontade de escrever (!)

A minha linguagem corporal sempre fala muito, as vezes sou até mal interpretada, acho que é um aspecto hiperconsciencial, eu sempre quero ter a sensação de quem está comigo. Não sentindo o que ele sente, mas tocando o que ele é, ou o que ele diz ser.

E aonde está o que eu quero? E quem é o que eu sou? Como eu posso querer ser qualquer coisa se eu não sei o que é ser? Eu sou o que faço? Ou eu faço o que eu sou?

Poesia para o meu amor:

Seus olhos inocentes sempre refletem o amanhã sorridente
trazem uma paz indolente de quem nunca espera paciente
as vezes, olhos de contemplação ou de preocupação.
E ele quer o nexo causal da existência
a prova da verdade de deus, ou dos deuses.
A dureza de existir martelando o ser-aí.
O ser que tem consciência mas que ainda é só parte de uma fantasia.
Minha quimera louca de ser, minha tristeza doida de amar
e feliz por tudo sentir e por nada pensar?
E quando se pensa se destrói o sentimento?
Ou o pensar sobre o sentimento é fruto exclusivo do momento?
O momento que sente o pensar?
Mas desculpem-me, quero escrever poesias de amar.
E o que preciso para tal?
Ter um grande amor ou só conceber o irreal?
Sei lá, tudo é projeção do real.

terça-feira, 15 de março de 2011

Cidade em preto e branco
almas apagadas e vazias
faces eternamente marcadas
pela pressão do que teriam.
E o único espaço que se vê consolo
é a terra molhada
pela chuva que alegra o 'tolo',
colore a natureza e o que
era concreto se faz verde
e o que era preto-branco
agora é apenas franco.
Sem a ilusão do ter.
Nem o desespero do ser.
Apenas sendo-em-si.